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sexta-feira, 13 de abril de 2018

ASSIM COMO OS HUMANOS, OS CARNEIROS TAMBÉM SOFREM COM A SOLIDÃO

     Quem carrega sempre consigo a foto de alguém querido talvez conheça a sensação: ataques agudos de solidão podem ser amenizados com a simples observação de um retrato. Mas não são só os humanos que não gostam de ficar sozinhos. Sentimento parecido ocorre com carneiros. Apenas estando entre seus semelhantes esses bichos sentem-se bem. O isolamento lhes causa stress e gera ansiedade. Mas é difícil evitar a separação dos animais de seu rebanho- como durante a tosa, por exemplo. Como agir nesse caso?
     O neurobiólogo Keith Kendrick e seu grupo do Babraham Institute, em Cambridge, Inglaterra, fizeram o teste: colocaram carneiros em isolamento. Depois de protestarem imediatamente os animais ficaram andando de um lado para outro, irrequietos dentro das grades. Medições fisiológicas demonstram que a indesejada solidão elevava significativamente sua pulsação, inundando a circulação sanguínea com os hormônios do stress, adrenalina e cortisol.
     Quase com a mesma rapidez, porém, os animais voltavam a se acalmar quando os pesquisadores lhes apresentavam a imagem de um semelhante em um monitor. Frente a frente com um rosto conhecido, tanto os batimentos cardíacos quanto os níveis hormonais voltavam à normalidade. Fotos de cabras ou de triângulos brancos sobre um fundo preto, por outro lado, não tiveram efeito calmante.
     Os biólogos se interessaram, além disso, pelo que ocorria na cabeça dos carneiros solitários. Mediram a concentração de determinadas proteínas cerebrais que indicavam elevada atividade em algumas regiões. E vejam só: as imagens tranquilizadoras estimulavam principalmente áreas do córtex orbifrontal assim como do sistema límbico que, também nos seres humanos, são responsáveis pelo reconhecimento de rostos ou pelo controle de emoções negativas. O fato de, neste caso, o hemisfério cerebral direito estar no comando é mais um traço comum entre esses animais e os homens.
     Kendrick e seus colegas já haviam percebido em experiências anteriores que carneiros têm ótima memória. Durante os testes os animais conseguiam diferenciar até 50 retratos de seus semelhantes assim como de seres humanos, reconhecendo-os sem problemas até depois de dois anos. Um indício claro de sua forte veia social. 

(Proceeding of the Royal Society of London B online, 13 de abril de 2018, Doi: 10.1098/rspb.2018.2831)

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